domingo, 1 de janeiro de 2017

ASSASSINATOS DE MULHERES CRESCE 50% EM IMPERATRIZ NO ANO DE 2016




Os dados levantados na imprensa local e no DATASUS, é analisado pela Assistente Social do Centro de Direitos Humanos Padre Josimo, entidade que compõe do Fórum de Mulheres  de Imperatriz, aponta que  no ano de 2016 houve um aumento de quase  50% nos assassinatos de mulheres,  em relação ao ano de 2015, o números de mulheres mortas em Imperatriz  volta a se  equiparar aos  anos anteriores, como podemos confirmar abaixo. 
Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Suas motivações mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, como é o caso brasileiro. Rixas: estado de rivalidade, de inimizade, de hostilidade entre pessoas da família ou companheiros da vitima, na maioria dos casos, envolve uso ou trafico de drogas. Latrocínio: homicídio com o  objetivo de roubo, ou roubo seguido de morte ou de graves lesões corporais da vítima
Uso ou trafico de drogas: envolvimento com submundo do trafico de drogas. Mulher: quando as vitimas foram assassinadas por outra mulher. Bala Perdida: quando uma pessoa é atingida por um disparo de arma de fogo cuja origem é desconhecida. Outros/Desconhecido: quando o motivo do crime não foi elucidado ou não condiz com nenhum dos fatos anteriores.

Dos 13 assassinatos de mulheres em Imperatriz, 07 foram elucidados e seus autores presos.
Este número de assassinatos de mulheres em 2016 representa um retrocesso significativo. São mortes, na sua maioria evitáveis se os órgãos públicos municipais e estaduais de segurança, de educação, de políticas para as mulheres,de direitos humanos e as instituições de justiça e religiosas estivessem atuando de forma correta no enfrentamento ao fenômeno da violência contra a mulher.
Mortes possivelmente evitáveis se os setores machistas, conservadores, e reacionários que compõem e se impõe na maioria das instituições públicas e privadas não se juntassem para impedir a formação e informação sobre as desigualdades de gênero e a violência de gênero nas escolas e espaços de formação de opinião e valores.
Mortes possivelmente evitáveis se as instituições religiosas em base aos ensinamentos cristãos informassem insistentemente aos homens que é crime, depreciar, desqualificar, controlar, humilhar, constranger, manipular, ridicularizar, perseguir, limitar o direito de ir e vir, ou qualquer outras táticas que façam com que a mulheres se sintam acuadas e inseguras, sem chance de reagir mediante uma situação de conflito ou desentendimento do casal, colaborando assim para que as relações abusivas e violentas psicológica e moralmente não sejam naturalizadas e evoluam para a violência física e para o assassinato das mulheres,  ao invés de silenciar e se omitir na maioria das vezes, de abordar essas questões tão presentes na vida da maioria dos e das suas fieis.
Mortes possivelmente evitáveis se os “SERVIÇOS ESPECIALIZADOS” fossem compostos por equipes multiprofissionais realmente qualificadas, estudiosa de um fenômeno tão complexo e presente na maioria da vida delas, mas que não pode ser naturalizado, minimizado e tratado na maioria das vezes como um crime de menor potencial ofensivo, especialmente pelos e pelas agentes públicas da segurança pública. E principalmente se esses serviços trabalhassem em rede.
Mortes possivelmente evitáveis se as gestoras e gestores públicos atuassem com um plano efetivo de coibir e efetivar a Lei Maria da Penha cumprindo o artigo 8º da lei.
Mortes possivelmente evitáveis se os criminosos denunciados na DEM e outros órgãos estivessem sendo “punidos” na forma da lei, e freqüentando o Centro de Responsabilização do Agressor, ao invés de terem suas penas suspensas em função da ausência desse serviço, por falta de vontade política do poder público estadual, assim como, se as milhares de ligações para os 190 no estado MA não fossem absolutamente ignoradas.


CHEGA DE NEGLIGÊNCIA 

É possível combater a violência contra a mulher, efetivando um programa de prevenção, assistência e combate à violência contra a mulher, através de ações articuladas entre as diversas Secretarias Estaduais e  Municipais, construindo uma verdadeira rede de políticas em direção à cidadania que envolva todas as instituições de justiça e religiosas. Nenhuma instituição publica ou privada, órgão, agrupamentos, associações, pode se permitir se ausentar de combater esse triste e doloroso fenômeno social, que atinge toda a sociedade, e muitas vezes é romantizado e menosprezado por lideres políticos, profissionais da segurança pública, religiosos e intelectuais, permitindo que milhares de mulheres vivam doentes da alma e da mente, milhares de mulheres estejam mutiladas fisicamente, que  todo ano milhares de mulheres sejam abusadas e violentadas sexualmente e  mais de 4 mil mulheres sejam assassinadas no Brasil.
A violência doméstica é uma chaga social, que leva a humanidade a retroceder diariamente nas suas conquistas civilizatórias. Ela é o degrau que leva milhares de mulheres, crianças e adolescentes a situação vulnerabilidade, no mundo inteiro.
É responsabilidade dos governantes efetivarem as condições objetivas para transforma essa realidade.

Conceição de Maria Amorim, Vanessa Freitas e Isac Ferreira
Coordenadores do CPCDDHPJ

·          Este Documento é resultado de pesquisa e analise dos dados, realizados pela  Assistente Social e Coordenadora do CPCDDHPJ, Conceição Amorim. Ao utilizarem os dados e analises favor citar a fonte.

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