quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

NOTA DE REPÚDIO


          Repudiamos veementemente o crime de estupro que tem como acusado o médico e prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, contra a jovem vendedora de livros, assim como a prática de alguns órgãos de imprensa do estado do Maranhão, que se utilizam de linguagem e publicidade sexista, misógina, culpabilizadora, humilhante, desvalorizadora da vítima de violência sexual. 
          É inaceitável que o machismo que viola os direitos e violenta as mulheres, continue tendo aliados em todas as esferas de nossa sociedade, fazendo com que recaia sobre as mulheres toda a culpa e responsabilidade dos crimes praticados contra elas.
          É inaceitável que o machismo continue contando com inumeráveis meios de propagação, dentre eles a mídia, que se mostra, em sua maioria, conservadora e preconceituosa, superficial e espetacularizada, principalmente quando um crime de estupro não é efetuado com requintes de crueldade e ou por pessoas tidas como “cidadãos de bem”, por ter boa situação financeira ou cargos e funções, seja no serviço publico ou privado, como é o caso. 
         É inadmissível que pessoas ligadas à imprensa fiquem impunes ao praticar de forma tão violenta a defesa de estupradores, se utilizando da velha e criminosa prática da “especulação” em defesa dos acusados, munidos inclusive de documentos oficiais do Sistema de Segurança Pública, o laudo médico da vitima, para expor de forma aviltante a vítima, como fez o responsável pelo Blog Só Falo a Verdade.
         Destacamos que o fato do laudo não apontar lesões, confirma e dá mais crédito à versão da própria vítima que em nenhum momento acusou o prefeito de agredi-la com golpes, mas sim de violência psicológica e sexual (essa atestada no laudo inclusive). 
         Exigimos respeito à vítima, a sua família, e todas as mulheres que silenciadas pela cultura do machismo sofrem desesperadamente pela culpabilização e revitimização praticadas por vários órgãos, inclusive os que deveriam protegê-las quando denunciam a violência sofrida.
         Exigimos o rigor legal e necessário nas investigações e a punição severa do acusado, assim como a punição de todos que de forma cruel e perversa desqualifica a vítima em favor de um sujeito “poderoso”, “doutor”, “prefeito” e “rico”. Portanto habilitado pelo machismo e o patriarcado, a ter todas as suas vontades atendidas, seja um beijo ou uma relação sexual, mesmo que indesejada pelas suas preteridas. Quem ousou desobedece-lo, foi forçada literalmente a satisfazer suas luxurias, foi assim com a juíza da comarca, beijada a força e a jovem vendedora de livros, estuprada. Quantas vitimas já foram invisibilizadas e silenciadas pelo poder do “doutor”?!

ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS – AMB
LISTA DE ORGANIZAÇÕES QUE COMPÕE A ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS:
ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS -RJ
ARTICULAÇÃO DE MULHERES DE RONDÔNIA
ARTICULAÇÃO DE MULHERES DE SÃO PAULO.
ARTICULAÇÃO DE MULHERES DO ACRE
ARTICULAÇÃO DE MULHERES DO AMAPÁ
ARTICULAÇÃO DE MULHERES DO AMAZONAS
ARTICULAÇÃO DE MULHERES DO MATO GROSSO DO SUL
COLETIVO AUTÔNOMO FEMINISTA LEILA DINIZ
FÓRUM DE ENTIDADES AUTÔNOMAS DE MULHERES DE ALAGOAS
FÓRUM DE MULHERES CEARENSES
FORUM DE MULHERES DE IMPERATRIZ
FÓRUM DE MULHERES DA AMAZÔNIA PARAENSE
FÓRUM DE MULHERES DE MATO GROSSO
FÓRUM DE MULHERES DE PERNAMBUCO
FÓRUM DE MULHERES DE SALVADOR
FÓRUM DE MULHERES DE SANTA CATARINA
FÓRUM DE MULHERES DO DISTRITO FEDERAL
FÓRUM DE MULHERES DO ESPÍRITO SANTO
FÓRUM DE MULHERES PIAUIENSES
FÓRUM ESTADUAL DE MULHERES DO RIO GRANDE DO NORTE
FÓRUM ESTADUAL DE MULHERES MARANHENSES
FÓRUM GOIANO DE MULHERES
NÚCLEO DE MULHERES DE RORAIMA
NÚCLEO DE MULHERES DE SERGIPE
NÚCLEO DE MULHERES DE TOCANTIS
REDE DE MULHERES EM ARTICULAÇÃO DA PARAÍBA
REDE NACIONAL DE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
CENTRO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA E DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS PADRE JOSIMO
RUA - JUVENTUDE ANTICAPITALISTA
UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA DO MARANHÃO

Um comentário:

Anônimo disse...

Lastimável que as vítimas invariavelmente virem ré na sociedade machistas sob a tutela das instituições que deveriam prote-las.